1980 – FORTALEZA – COZINHA INDUSTRIAL
Fernando
Vendermos o nosso apartamento de Belo Horizonte e a nossa casa de São Paulo. Investimos tudo na cozinha industrial.
Começamos da estaca zero. Alugamos uma casa em Fortaleza. Construímos a cozinha. Compramos equipamentos. Levou quase seis meses para começar.
No primeiro dia fiz 30 coxinhas e levei de amostra grátis para 6 ou 7 pontos de venda no centro de Fortaleza. Os donos gostaram, pois realmente era de boa qualidade e preço honesto.
Ainda falei que faria entrega de mercadoria 2 vezes por dia, às 7 e às 14 horas. O que eles vendiam na época chegava por volta das 8 e ficava até acabar, não importa a hora!
Também falei que durante a primeira semana o que não era vendido eles não teriam de pagar (devolver, sim). Mal cheguei em casa e o telefone tocou; eles queriam 20 para a tarde. Falei não; vamos com calma. Amanhã posso entregar 15. Então começamos com 15 de manha 15 a tarde; depois passamos para 20 e 20.
Terminada a semana de teste, liberei a quantidade do pedido. Crédito só de 24 horas. Não pagou do dia anterior não recebia a entrega seguinte. Tinha cada ex-cliente !
No final de dois anos estávamos produzindo em média 3000 unidades por dia. Coxinhas, croissants (fornecíamos para a melhor churrascaria de Fortaleza o “Parque Recreio” 100 na segunda, terça e quarta; na quina 150; sexta já era 500; sábado 1000 e domingo 1200), salgadinhos de massa folheada, pastel, kibe, doces, etc, etc, etc.
Por falar em salgadinho de massa folheada tenho quase certeza que eu fui o pioneiro a usar massa folheada em salgadinhos no Brasil; em Fortaleza com certeza. Explico. Para fazer massa folheada se usa uma manteiga especial, A Gradina. A Marie fez um curso especial em São Paulo para aprender com usar. A GRADINA tinha um vendedor em Recife que cuidava das regiões nordeste e norte. Ele era um especialista em seu uso. Em uma visita que ele fez à nossa cozinha, ele me viu fazendo salgadinhos com a massa folheada e ficou espantado. Eu fazia um retângulo com queijo, um triângulo com calabresa e um quadrado, cujo nome era Pizza Imperial! Com certeza ele informou à matriz e logo depois começaram aparecer salgados feitos de massa folheada. Alguém lembra de ter visto algum antes de 1980?
Trabalhávamos das 6 às 17 horas com uma turma de seis, e das 21 às 7 horas com três rapazes. À noite, se os três chegassem, eu ia dormir até às 3 horas. Se um faltasse, eu já levantava para ajudar a partir de 1 hora.
Após dois anos estávamos tão cansados e a Marie com saudades de São Paulo que resolvemos vender a cozinha industrial.
A minha irmã Irene (Guido e filhos Roberto e Bruno) moravam em Belém na época e estavam pensando em mudar para uma cidade maior para ter mais opções de educação para os filhos.
Vendemos para ela. Eles pegaram o trem andando a 100 por hora! Clientela. Funcionários. Fornecedores. Dinheiro entrando já no primeiro dia! Moleza!
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